Atrasos em repasses estaduais mantêm profissionais sem salário e expõem fragilidade na gestão da saúde na Bahia
Registros de demora na quitação de salários e honorários de trabalhadores da rede estadual de saúde da Bahia voltaram ao centro do debate nos últimos tempos. Profissionais que atuam em hospitais regionais relatam estar há até três meses sem remuneração, cenário que já provocou paralisações parciais e manifestações públicas de entidades de classe e parlamentares, com cobrança por providências imediatas.
No Hospital Regional de Juazeiro, profissionais contratados via pessoa jurídica, reduziram atividades após sucessivos atrasos nos pagamentos. No Hospital Regional de Irecê, trabalhadores relataram cenário semelhante, apontando dificuldades para manter a rotina de trabalho diante da ausência de remuneração regular.
O Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia (Sindimed-BA) formalizou denúncia envolvendo mais de dez unidades da rede estadual, informando que há profissionais atuando há meses sem receber. A entidade cobrou providências do Governo do Estado e solicitou a regularização imediata dos valores pendentes.
De acordo com relatos de profissionais e posicionamentos sindicais, os atrasos estariam relacionados à irregularidade nos repasses financeiros do Estado às unidades e às organizações responsáveis pela gestão dos serviços. Especialistas em administração pública destacam que, quando há descontinuidade no fluxo de recursos, o impacto atinge diretamente o pagamento de fornecedores e equipes, independentemente do modelo de gestão adotado.
Recentemente, mudanças na condução administrativa de determinadas unidades foram justificadas sob o argumento de que a medida contribuiria para solucionar a crise de pagamentos. No entanto, as denúncias registradas após essas alterações indicam que os atrasos persistem, o que levanta questionamentos sobre a origem estrutural do problema.
Até o momento, não foi divulgado um cronograma oficial detalhando a regularização dos repasses e a quitação dos débitos com os profissionais. Enquanto isso, entidades médicas afirmam que seguem monitorando a situação e não descartam novas medidas caso o impasse permaneça.
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