Ferro-velho vira arte monumental em exposição ‘Desperta, Ferro!’

A mostra reúne 20 obras em ferro, madeira e pedra, produzidas com materiais coletados em ferros-velhos de Salvador

 

O Museu de Arte da Bahia (MAB) recebe a exposição ‘DESPERTA, FERRO!’, do artista José Ignacio. Resultado de dois anos de produção e pesquisa, a mostra reúne 20 esculturas em ferro, madeira e pedra, muitas delas de grande escala, chegando a aproximadamente 3 metros de altura. As obras foram desenvolvidas a partir de peças de demolição e descarte, coletadas em mais de 20 ferros-velhos da capital baiana.

 

Com formação em arquitetura e longa trajetória como construtor, Ignacio ressignifica fragmentos industriais e cotidianos para transformá-los em estruturas de forte presença simbólica. “O ferro, tantas vezes tratado como resíduo, aqui ganha protagonismo e se revela vibrante, pleno de aspirações e de novas vocações”, destaca o artista.

 

A mostra dá continuidade ao percurso iniciado em “Orí Tupinambá” (CAIXA Cultural Salvador, 2023), projeto em que José Ignacio se debruça sobre relatos de viajantes do século XVI e explora materiais como pedra, madeira e metal a partir de um imaginário ancestral de divindades sagradas. Agora, o artista concentra sua investigação na materialidade do ferro – elemento que, ao mesmo tempo em que carrega memórias industriais e sociais, também aponta para uma reflexão crítica sobre consumo, descarte e permanência.

 

Cada escultura criada por José Ignacio condensa uma série de elementos articulados por uma reflexão metodológica própria do artista. O projeto expográfico convida o público a acompanhar não apenas as obras finalizadas, mas também o percurso criativo, revelando esboços, estudos e a prática artesanal que sustenta sua produção.

 

“Caminhar pelos ferros-velhos de Salvador foi como aprender um novo idioma”, afirma Ignacio. “Cada peça parecia me escolher, carregando histórias de usos passados e abrindo possibilidades para novas existências.”

 

Sobre o artista

Filho de cubanos, José Ignacio Suarez Solis nasceu no Chile e chegou ao Brasil ainda criança, fixando-se na Bahia em 1974. É arquiteto formado pela Universidade do Oregon (EUA), com passagens por Nova York, Copenhague e Helsinque. Sua trajetória combina arquitetura, desenho e escultura, com destaque para a pesquisa sobre materialidades e o uso do processo projetual arquitetônico como ferramenta metodológica da arte. Em sua obra, o artista investiga o imaginário mitológico de povos ancestrais e a ressignificação de materiais, criando deidades e estruturas totêmicas que dialogam com o passado e projetam futuros possíveis.

 

Entre suas exposições individuais recentes estão “Dentro do Mato, na Borda do Mar” (2019) e “Orí Tupinambá” (2023).

 

Serviço

Curadoria: Alana Silveira
Pesquisa: Ticiana Lamego
Período expositivo:  de 24 de outubro a 21 de dezembro de 2025
Local: Museu de Arte da Bahia – Corredor da Vitória, 2340 – Salvador/BA
Visitação: terça a domingo, das 10h às 18h
Entrada: gratuita

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