Em novo dia, Fuzuê reúne famílias e grupos culturais no Circuito Orlando Tapajós

O Circuito Orlando Tapajós (Ondina–Barra) ganhou cores e música novamente neste domingo (8), em mais uma edição do Fuzuê, que teve uma mudança importante este ano: saiu do tradicional sábado e passou a ser realizado no dia seguinte. A alteração no calendário, no entanto, não diminuiu o clima da festa, que reuniu foliões de todas as idades ao longo do percurso.

 

Fanfarras e grupos culturais tomaram conta das ruas, transformando o circuito em um grande cortejo de alegria e tradição. A programação teve início com a Bike Salvador Fantasia, que levou ciclistas caracterizados para as ruas. Em seguida, a Banda da Guarda Civil Municipal (GCM) deu o tom da festa, embalando o público e dando início à sequência de apresentações culturais.

 

Vestido de pirata, o aposentado João Batista, de 72 anos, afirmou que a mudança do sábado para o domingo trouxe vantagens, sobretudo para quem vai em família, como é o caso dele. “Antes, no sábado, muita gente estava trabalhando, ou resolvendo alguma coisa de casa. Agora no domingo, fica mais tranquilo, dá tempo de almoçar, chamar os filhos, os netos, e vir sem correria. Ficou melhor para quem curte algo mais tradicional”, explicou. 

 

Ao lado da neta, fantasiada de sereia, ele fazia questão de registrar o momento no celular. “Ela já estava me cobrando desde a semana passada. Disse que queria ver as fanfarras. Esse tipo de festa cria memórias para as crianças”, completou. 

 

A estudante de História Camila Santana, 21, transformou o próprio corpo em manifesto. A fantasia, feita com tampinhas de garrafa, lacres de latinha e retalhos de tecido, levou uma semana para ficar pronta. A mensagem que ela quis passar foi a de proteção ao mar. “Eu moro em uma república com outras meninas e a gente juntou esse material no dia a dia. Fui montando aos poucos. Quis mostrar que dá para criar algo bonito sem gastar muito e ainda chamar atenção para o lixo que a gente produz”, contou.

 

O vendedor ambulante José Carlos, 45 anos, comemorou o movimento. Há 15 anos circulando por eventos populares, ele conta que o pré-Carnaval é uma das épocas mais importantes do ano para o bolso e também aprovou a mudança de dia do Fuzuê. “Domingo o público vem mais tranquilo, com a família ou com os amigos, fica mais tempo na rua, mais tempo aqui do lado do isopor, consome mais. Aí a cerveja sai o dia todo. No sábado, muita gente passa apressado”, afirmou.

 

Grupos - Entre as atrações, estava o Afoxé Baianas do Reino de Oyá. O grupo é formado, em sua maioria, por baianas de acarajé e integra a programação do pré-Carnaval pelo terceiro ano consecutivo. A presidente da Associação de Baianas de Acarajé (Abam), Rita Santos, comentou que o cortejo é uma forma de valorizar a presença das baianas. Este ano, o afoxé trouxe uma novidade: a participação do grupo infantil Africanidade, formado por dez crianças. 

 

Ao todo, cerca de 30 baianas participaram do desfile, representando diversos bairros de Salvador, como Brotas e o Engenho Velho. “A gente vem para lembrar à população que as baianas estão aí, que são patrimônio. E não só as baianas de acarajé, o afoxé também é patrimônio. É uma forma de mostrar isso nas ruas, com alegria e tradição. É uma oportunidade de reunir as baianas, mostrar nossa força e nossa história. A gente vem para festejar e para lembrar o valor da nossa cultura”, disse.

 

Já o grupo Maravilhosas é formado por mulheres que transformaram a amizade em tradição carnavalesca. O coletivo, que hoje reúne quase 30 integrantes, começou de forma despretensiosa, entre cunhadas e amigas que decidiram sair juntas no pré-Carnaval. Maria Salles, uma das fundadoras do grupo, contou que a ideia surgiu ainda nos primeiros anos do Fuzuê. 

 

“Eu vinha de São Rafael e minhas cunhadas não tinham fantasia. Então eu levava tudo para elas. A gente começou com quatro mulheres, só por amizade mesmo, Nossa amizade é grande. Aí uma vai convidando a outra, e quando vê já está todo mundo junto. Quem vê o grupo gosta e quer participar também”, disse.

 

O grupo seguiu participando das festas até que, em 2024, o marido de uma das integrantes incentivou as amigas a investirem em uma fantasia própria. A partir daí, nasceu o grupo Maravilhosas. Naquele ano, elas desfilaram caracterizadas como Mulher-Maravilha. Em 2025, o tema escolhido foi deusas gregas. Já este ano, as integrantes apostaram em figurinos inspirados no cabaré.

 

Com 62 anos de história, o tradicional bloco Paroano Sai Milhó marcou presença no circuito do pré-Carnaval. Fundado no bairro da Saúde, o grupo é conhecido por seu formato exclusivamente vocal e pela presença nos carnavais de Salvador desde a década de 1960.

 

Com cerca de 20 integrantes, o bloco participou do Fuzuê neste domingo entoando arranjos, sem instrumentos elétricos ou amplificados. Integrante do grupo, Lindbergh Macedo afirmou que o Paroano participa do Fuzuê desde a criação do evento. Segundo ele, o bloco esteve entre os primeiros a aderir ao desfile. 

 

“Quando surgiu a ideia de fazer esse cortejo com grupos desse formato, o Paroano foi um dos primeiros a participar. A gente acredita nessa proposta de Carnaval mais próximo do público”, afirmou.

 

A programação do pré-Carnaval de Salvador segue nesta segunda-feira (9), com a Melhor Segunda-Feira do Mundo, sob comando de Xanddy Harmonia, seguida pelo Pipoco na terça (10), com Léo Santana, e a festa Habeas Copos, marcada pelas fanfarras, na quarta (11). A abertura oficial do Carnaval será na quinta (12), no Campo Grande, com o espetáculo “A Rota do Samba”.

 

Fotos: Bruno Concha / Secom PMS
Reportagem: Nilson Marinho / Secom PMS

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