Pedido de empréstimo bilionário do governo pega deputados de surpresa e cria clima de indecisão na Assembleia

Foi publicado nesta sexta-feira (11), no Diário Oficial do Estado, uma solicitação de empréstimos que totalizariam mais de R$ 1,7 bilhão para os cofres públicos da gestão de Jerônimo Rodrigues (PT). Os recursos seriam utilizados para áreas de atuação do governo, seja infraestrutura, saúde, educação, segurança pública, entres outros.

 

No entanto, para a concessão ser liberada é preciso que seja autorizada pela Assembleia Legislativa (Alba). O que surpreendeu foi que os deputados, da oposição ou até mesmo da base aliada, não sabiam da informação até a divulgação oficial e pelos veículos de imprensa. 

 

Agora, a expectativa é de que o parlamento aprove, já que maioria significativa apoia o governo Jerônimo. Porém, até para esse grupo a decisão unânime é incerta, o que deixa os articuladores políticos do governador preocupados.

 

Para o deputado estadual Cafu Barreto (PSD), que está em seu primeiro mandato e integra o bloco governista na Alba, ainda não se pode falar em certezas, até mesmo para os apoiadores do governo. Ele justifica que os empréstimos são altos e, para isso, é preciso avaliar antes sobre o destino desse dinheiro e como isso será pago, um ponto importante para manter a austeridade fiscal na administração pública.

 

“A transparência e clareza das informações cumprem papel importante nessa tramitação e, como deputado estadual eleito pelo povo, farei o que for melhor para a Bahia, mas cumprindo também meu dever de fiscalizar o trabalho do governador”, alerta o deputado.

 

Já no outro lado, o governo encontrará dificuldades para levar o mínimo de votos favoráveis. Um dos líderes mais ferrenhos da oposição, o deputado estadual Samuel Júnior (Republicanos), deixa claro que a medida pode levar a Bahia para um rombo orçamentário ainda maior e que não resolverá os principais problemas do governo, como a lotação no sistema de saúde e os altos índices de violência.

 

"Já estamos há mais de 16 anos na gestão petista e vimos que a gastança é muita e o resultado é pouco. É preciso ter clareza com as informações e é necessário saber como a população será beneficiada com isso, pois estamos lidando com dinheiro público. Inclusive, como isso será quitado? Não sabemos", pontua o parlamentar.

 

Os diálogos sobre o tema ainda não se iniciaram na Assembleia. Tudo começa quando o presidente da Casa, Adolfo Menezes (PSD) receber formalmente o pedido do Executivo. A partir disso, o projeto caminha, por meio de análises de pareceres técnicos – que devem ser enviadas pelo governo –, discussões nas comissões técnicas e articulações políticas entre as bancadas, para assim decidir no plenário se o mega-empréstimo será liberado ou impedido.

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