ISC/UFBA integra comitiva sobre analgesia no parto na França
Entre os dias 24 e 28 de agosto, o Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA), representado por Dra. Mônica Neri, integrou uma comitiva do Ministério da Saúde em visita técnica a maternidades francesas. A agenda incluiu os Centros Hospitalares Universitários de Lille e de Angers e o Hospital Tenon, em Paris.
A missão teve como objetivo conhecer processos de trabalho e protocolos de atenção ao parto e nascimento adotados nas instituições, com destaque para a analgesia peridural. A iniciativa busca subsidiar estratégias para ampliar o conforto das mulheres durante o trabalho de parto e contribuir para a redução das cesáreas desnecessárias no Brasil.
A visita resulta de ações de um projeto apoiado pela Embaixada da França e Ministério da Saúde francês e coordenado por Dra. Mônica Neri, do ISC/UFBA, e Dra. Maria do Carmo Leal, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Além das Coordenadoras do projeto, participaram da Comitiva o Diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgências do Ministério da Saúde, Fernando Figueira; a Assessora Thatiane Torres; e docentes do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP): Rossana Francisco, Carolina Testa e Fernando Nani.
O Brasil registra taxas elevadas de cesárea, que alcançaram cerca de 60% dos nascimentos em 2024. Embora seja um procedimento fundamental e que salva vidas quando clinicamente indicado, a cirurgia também envolve riscos para mães e bebês, especialmente quando realizada sem necessidade. Estudos apontam que o medo da dor é um dos principais fatores relacionados à solicitação de cesárea pelas mulheres no país.
Apesar disso, o acesso à analgesia peridural durante o parto ainda é restrito, na maioria das maternidades brasileiras: a média nacional é de 12%, com aproximadamente 8% no setor público e 40% no setor privado. Na França, as taxas de cesárea se mantêm em torno de 22% nos últimos quarenta anos, com cerca de 85% de analgesia peridural no parto.
“As técnicas atuais de analgesia peridural permitem a sua instalação no início do trabalho de parto, no momento que a mulher desejar. É um procedimento seguro para mãe e bebê, permitindo um parto vaginal sem dor, sem precisar recorrer a uma cesárea. Precisamos avançar com o reconhecimento do acesso à analgesia peridural no parto como um direito das mulheres. É possível um parto vaginal com conforto, segurança e dignidade”, afirma Mônica Neri.
A Comitiva também esteve no Ministério da Saúde da França, onde se reuniu com representantes da Alta Autoridade de Saúde e da Diretoria de Oferta de Cuidados para conhecer a organização da rede obstétrica e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que foi referência para implantação do serviço no Brasil.
Em continuidade a esta agenda, o Ministério da Saúde iniciará um projeto-piloto para ampliar a oferta de analgesia peridural em dez maternidades distribuídas pelas cinco grandes regiões do país. Coordenada por Maria do Carmo Leal e Mônica Neri, a proposta pretende garantir o procedimento como um direito das mulheres, promovendo mais conforto e segurança no parto e evitando intervenções cirúrgicas que não sejam necessárias.
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